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Mostrando postagens de Outubro, 2006

Fragmentos poéticos

I

Filosofo em arsênico, carbono e anti-matéria
Amorteço em dormências de palavra, sentido e ser
Cuspo no copo gozo de carência em Dó maior
Nervo que pulsa morte e desejo
Fome de cor ambígua Ânsia matinal vertida em sonhos exequíveis Úmidos de preguiça, fumaça e som

Chuta que é macumba parte I

Quando chegam juntos ao escaninho, a fatura estourada do cartão de crédito, a fatura atrasada do crediário e uma carta do serviço de proteção ao crédito, o popular S.P.C, avisando de forma tão carinhosa que você foi incluído no cadastro, que você por um instante chega até a pensar que é alguma coisa boa, e o salário do mês já acabou de acabar; só pode haver uma explicação: existem forças obscuras agindo ardilosamente atrás da cortina da vida, é feitiço, trabalho, obra do maligno. Só pode ser! Decidido a acabar de vez com essa onda de urucubaca, fui ter com um macumbeiro amigo meu que nas horas vagas faz bico de reparador de carros aqui perto. Ao me aproximar do indivíduo, notei pelo franzir involuntário daquela testa breada e marcada pelas vicissitudes da labuta, que ao bater com os olhos em mim, mesmo ainda à distância, o pai-de-santo flanelinha logo pressentiu o campo energético carregado que me circundava e de certo já sabia do que se tratava, pois era homem de intensa força psíquic…