Underground vs. Mainstream

A lendária guerra entre “mainstream” e “underground” tem suas raízes fincadas na cultura pop do mundo ocidental moderno, e tem encontrado solo particularmente fértil na cultura musical contemporânea. Os dois lados antagonistas têm travado uma batalha épica, onde qualquer coisa que um “undergrounder” (termo usado para descrever um suposto adepto de tal vertente) considere comercial, corporativo ou massificado, se torna “mainstream” e onde tudo que um “mainstreamer” (alcunha que designa o sujeito do lado oposto) acredite ser esquisito, extremo ou pesado se torna “underground”.
Tomando o termo “underground” como ponto de partida, percebe-se que o mesmo vem envolto em uma série de suposições, as quais se aplicam o contrário ao lado antagonista.
A primeira, é que os artistas que habitam e sobrevivem nessa realidade conspicuamente soturna, são a suprema personificação da essência de seus estilos musicais e conseqüentemente o que eles deveriam ser. A segunda é que eles têm amor pela cultura. O que nos leva diretamente a terceira e mais ouvida suposição: a de que “eles não se venderam”.
Obviamente, segue o fato dos seus respectivos seletos fãs se considerarem portadores das mesmas qualidades, desqualificando a enorme quantidade de fãs e seguidores da vertente opositora (mainstream) alegando que: “eles não entendem nada”.
O que é crucial para este argumento, é a asserção de que artistas que alcançam o sucesso em larga escala e começam a ganhar dinheiro, de alguma forma, não estão sendo verdadeiros.
Por outro lado os “mainstreamers” se defendem com uma única, porém contundente alegação de que, underground é um termo que os artistas que não conseguiram obter grande sucesso (leia-se fracassados) usam para descrever a si mesmos.
Posto isso, surgem de imediato algumas questões, sendo a primeira: o que é ser de fato underground ou mainstream? Ou melhor, quando um artista deixa de ser underground e passa ser mainstream?
Será o aumento de exposição ou de atenção da mídia? Ou serão mudanças particulares de estilo?
Ser underground é um estado de mente, um conjunto de critérios, de convicções, ou ainda, uma concepção ou a falta dela por parte dos fãs?
Se um notório artista underground cultuado por um seleto grupo de “cabeçudos” tivesse de repente suas músicas tocadas repetidas vezes por dia no rádio, aparecesse na MTV e com isso angariasse uma legião enorme de fãs, ele deixaria de ser underground?
Por outro lado, ser marginalizado, não receber atenção da mídia, não receber polpudos cachês e ou ser um artista pobre, necessariamente o torna underground?
Analisando essas perguntas, chega-se a conclusão de que as respostas para todas elas se perdem no mais profundo e obscuro relativismo. Porém, o que se pode perceber com clareza, é o fato que, para seus militantes, o Underground foi, é e continuará sendo um pequeno e exclusivo clube e, assim que ele fica “grande demais”, eles passam para outra coisa, enquanto fazem questão de mostrar o mais aberto desdenho pelas mesmas coisas que um dia aclamaram.
Será isso perspicácia e conhecimento “verdadeiro” de causa; ou uma espécie de elitismo?
Ou pior, seria isso pura hipocrisia? Se a esses que se denominam underground fosse dada a chance de terem seus trabalhos executados freqüentemente pelas rádios e canais do gênero, expondo-os assim a uma vasta audiência, elevando seu valor na indústria e conseqüentemente seu cachê; será que eles pensariam duas vezes antes de aceitar?

Comentários

Letícia disse…
Prefiro ser underground!!
hahahaaaa...
Pedro Vianna disse…
Também já me fiz esses questionamentos. Esse papo de underground é puro ranso de excluído. Quero ver quem pula fora na hora que aparece o din-din...
Karina disse…
rs... Esse é o tema do meu TCC.

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